Nos Estados Unidos, existe um acampamento de verão chamadoCimeira do Acampamento, fundada em 1947, localizada em Dallas, Texas. Apesar do nome, o acampamento está aberto o ano todo, recebendo pessoas de seis a noventa e nove anos com diversas deficiências. Os participantes podem experimentar atividades como tiro com arco, natação e artes e ofícios. Cada atividade é adaptada às habilidades de cada campista para garantir que todos possam participar.
No outono de 2015,Sarah Delashmitchegou pela primeira vez ao acampamento.
Uma vida vivida em uma cadeira de rodas

Com trinta e poucos anos, Sarah usava uma cadeira de rodas elétrica de última geração e precisava de um respirador. Ela foi diagnosticada comDistrofia MusculareAtrofia Muscular Espinhal, deixando-a paralisada do pescoço para baixo. A equipe do acampamento tinha que ajudá-la em todas as atividades diárias: tomar banho, vestir-se, comer e até usar o banheiro — às vezes mais de dez vezes por dia.
No entanto, sua atitude foi inesperadamente otimista. Ela se relacionou com a equipe e outros campistas, pregando peças como embrulhar pertences em filme plástico ou substituir o creme Oreo por pasta de dente. Uma jovem, que também usava cadeira de rodas, olhou para ela e disse que queria crescer e ser como Sarah.
Em uma festa campal, Sarah disse calmamente aos conselheiros Sam Ryan e sua esposa Racheal que gostaria que alguém a convidasse para dançar. Um membro da equipe ouviu, levantou-a da cadeira de rodas e girou-a ao som da música. Sentando-se novamente, ela disse a Sam que seu sonho havia se tornado realidade.
Mais tarde, o acampamento organizou passeios a cavalo. Rachel segurou Sarah por trás enquanto cavalgavam pela grama quente. Depois, Sarah fez um desenho de dois bonequinhos cavalgando o mesmo cavalo – um com cabelo escuro e outro ruivo – embora ela não tivesse força nos braços; a equipe guiou suas mãos.
O início da decepção: anos de faculdade

Em 2003, Sarah era caloura na faculdade e se misturava com colegas de quarto. Ela alegou ter tido leucemia infantil, pai que era médico e curso pré-médico. Na verdade, seu pai havia falecido e ela morava com a mãe em uma casa modesta em Illinois. Mais tarde, ela disse a colegas de quarto que sua leucemia havia retornado, necessitando de quimioterapia, atraindo atenção e cuidados constantes.
Certa vez, ela apareceu segurando uma mecha de cabelo, alegando que tinha caído por causa da quimioterapia, embora na realidade seu cabelo não tivesse ficado ralo. Em uma noite de cinema assistindoUma caminhada para lembrar, ela chorou por causa da leucemia do personagem principal, gerando conflito entre seus amigos.
Essas mentiras eram apenas a ponta do iceberg.
Manipulação Online e Identidades Falsas

Em 2006, Sarah criou uma complexa rede de enganos online.Andrea Smithgerenciou um fórum de suporte SMA e notou duas contas ativas, “Megan” e “Connie”. “Connie” afirmou ser mãe de uma criança comAtrofia Muscular Espinhal, e “Megan” compartilhou suas próprias lutas relacionadas ao SMA.
Pais experientes notaram rapidamente inconsistências. As investigações rastrearam e-mails vinculados a fóruns para pacientes com AME e sobreviventes de câncer infantil. Muitas das fotos que ela usou foram roubadas, incluindo imagens deSarah Schwegel, um embaixador oficial do MDA.
Eventualmente, o FBI identificou Sarah Delashmit como a pessoa por trás de todas as identidades falsas. Ela admitiu que inventou todas as histórias: não tinha AME, nem tinha uma irmã chamada Gabby.
Explorando Amizades para Aprender Deficiências
O engano de Sarah continuou nos acampamentos. Em 2005, como estagiária universitária em um acampamento para pessoas com deficiência na Califórnia, ela fez amizade com uma garota chamadaErin Johnson, que tinha paralisia cerebral e usava cadeira de rodas. Sarah aprendeu obsessivamente todos os detalhes sobre como viver com deficiência com Erin – como posicionar as mãos, o corpo e as sensações – apenas para fingir ser deficiente.
Durante quase doze anos, Sarah manteve esta amizade parasitária online, inventando histórias absurdas sobre tumores cerebrais, Ébola, um marido fictício “Adam” e um filho que nunca sobreviveu. Ela até manipulou romances online, fingindo ser amiga de pessoas inexistentes para continuar o engano.
Gravidez Fabricada e Histórias de Câncer
Depois da faculdade, as mentiras de Sarah aumentaram. Ela se passou por grávida de trigêmeos e postou fotos roubadas online. Mais tarde, em Oklahoma, ela trabalhou como enfermeira em uma UTIN e alegou gravidez gemelar, usando travesseiros para simular uma barriga e imagens de ultrassom. Os dois bebês “morreram”, conquistando simpatia, até que uma investigação interna revelou o engano.
Em 2015, ela apareceu emCimeira do Acampamentonovamente, fingindo estar paralisado do pescoço para baixo – cena descrita no início.
Em 2016, o acampamento recebeu uma dica: Sarah estava saudável. A família dela chegou e ela de repente levantou-se da cadeira de rodas na frente de todos.
Ironia e consequências legais

Sarah continuou a fabricar doenças, fingindo ser uma sobrevivente do câncer de mama de 2017 a 2018. Ela se juntou a programas de caridade e recebeu patrocínios para um programa de caridade.Triatlo Ironmanbicicleta e equipamento. No entanto, ela usou o cartão de crédito da mãe para comprar uma bicicleta de forma fraudulenta, o que se tornou a primeira prova criminal.
Em março de 2020, um grande júri federal acusou-a de oito acusações, incluindo fraude eletrônica e roubo de identidade. Em outubro de 2020, ela se declarou culpada, admitindo que nunca teve câncer ou AME. Em janeiro de 2021, ela foi condenada a 18 meses de prisão federal com três anos de liberdade supervisionada.
Motivação e percepção psicológica
O engano de Sarah não foi motivado por dinheiro; ela supostamente ainda tinha US$ 70.000 em empréstimos estudantis. PsiquiatraMarc Feldmansugeriu que ela extraía prazer do próprio engano, desfrutando do poder de enganar e controlar os outros.
Apesar da libertação em março de 2022, ela teria retomado a manipulação social, juntando-se a grupos locais de apoio às mães e continuando com as suas mentiras elaboradas, agora com ainda maior cautela.